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Ordem Dominicana O.P.

A “ABUELA” DOS DOMINICANOS

Como filhos e filhas de Domingos, um espanhol natural de Caleruega, localizada na Província de Burgos, na Espanha, quando falamos de sua mãe, Beata Joana de Aza, recorremos à língua nativa, onde avó é traduzido como ‘Abuela’, significando nossa avó.

Hoje, em 2 de agosto, celebramos a memória de Beata Joana de Aza, a mãe de São Domingos. Infelizmente, pouco se sabe sobre sua origem ou família, pois há poucas informações disponíveis quando pesquisamos sobre ela.

– Nascimento de Joana:

Joana nasceu na cidade de Aza no ano de 1140. Ela herdou de sua família a mansão de Caleruega depois de se casar com Félix de Guzmán. Três filhos nasceram deste casamento: Antonio (venerável), Manés (abençoado) e Domingo (santo e fundador da Ordem dos Pregadores). De acordo com a obra Vida de Santo Domingo de 1272, ela era uma mulher ‘honesta, casta, irrepreensível, prudente e muito compassiva com os pobres e aflitos, brilhando pela virtude e pela boa reputação’ [1]

– Nome e Batizado de Domingos:

A devoção especial de Joana de Aza ao mosteiro beneditino de Silos e a seu santo fundador Domingo é a origem do nome de seu filho mais novo.[2]

Conta-se que, quando ela ainda estava grávida de Domingos, sonhou que um cachorro corria pelo mundo com uma tocha na boca. Rapidamente, Joana foi ao Mosteiro, pedindo a intercessão de Silos, que havia falecido 100 anos antes, para o nascimento de seu filho e prometendo que o chamaria de Domingos se tudo ocorresse bem. Dizem que ela fez novenas, mas não há informações precisas sobre isso.

No batizado, Joana, ou talvez sua madrinha, teria presenciado uma estrela na testa de seu filho Domingo, o que ao longo da vida lhe conferiu uma serenidade esplêndida em seu rosto.”

A iconografia representa o hijõ Domingo e sua Madre Juana com uma estrela na fronte

 – Influência na Educação de Domingos:

 

Influente, este, Domingos, que para seu Pai, Félix, deveria recorrer ao conhecimento das armas, preferia estar na barra da saia de sua mãe,

Seu apelo foi: “Senhor, não deixe o machado queimar!” Pedagoga e professora, ela o guiou nos primeiros passos em direção à vocação sacerdotal. Foi ela quem lhe ensinou as primeiras letras. Aos sete anos (1176).[3]

 

 

– Milagre, Morte e Beatificação:

La bodega de la Beata Juana” (Convento e Mosteiro São Domingos, Caleruega, Burgos, España)

É acessado a partir da entrada do convento. Segundo a tradição, o milagre da multiplicação do vinho que a mãe de Domingo distribuiu entre os pobres ocorreu aqui. Um relevo de alabastro do escultor Andrés M. Abelenda lembra o fato. Trata-se de um espaço retangular, sob uma abóbada sustentada por arcos de pedra, que fazia parte da antiga adega da mansão.[4]

Morte: Entre os anos de 1203 e 1205, Juana faleceu, deixando para trás uma grande admiração por suas virtudes de compaixão, misericórdia e generosidade.[5]

Beatificação: No dia 1º de outubro de 1828, o Papa Leão XII, atendendo ao pedido da Ordem Dominicana e dos grandes de Espanha, incluindo o rei Fernando VII, aprovou o culto da Beata Joana. Esse culto já era bastante popular na zona de Caleruega e povoados vizinhos, em grande medida devido à proteção alcançada de Dona Joana, Mãe de São Domingos, contra graves pestes e fomes ocorridas ao longo dos séculos.

Diante deste testemunho genuíno e fraterno, convido a todos a rezar juntos a Oração de Joana e a pedir a sua intercessão para a grande festa de seu filho Domingos, no próximo dia 08.08. Que possamos olhar com mais fervor e compaixão como Joana. Oremos:

“Pai e Senhor Nosso,
fonte de toda a vida,
que outorgaste à Beata Joana D’Aza
a benção de seus filhos, especialmente
São Domingos,
Nós pedimos por seus méritos
o poder de educar os nossos filhos
com suas virtudes
e que possam alcançar
por sua intercessão a alegria vida eterna
Por Jesus Cristo, Nosso Senhor e Sua Santíssima Mãe
Amém”
(Tradução e adaptação: Ana Beatriz Menezes, OP) 

Por intercessão de nossa Abuela Joana de Aza e seu hijõ Domingos de Guzmán, tenhamos maior fervor e conversão radical em nossa vida e coração.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
02.08.2023 – Memória da Beata Joana de Aza
Ana Beatriz Menezes, OP

 

Acompanhe a Novena preparatória para a Festa de São Domingos de Gusmão, celebrada no dia 8 de agosto:

Bibliografia

Compêndio de Memórias Históricas da Bem-aventurada Joana de Aza, publicado em 1829 para documentar a confirmação de seu culto. 

https://www.diariodeburgos.es/noticia/ZFA5B1220-E0BD-8A7F-61CF1EF714F0A7BA/20140803/santa/juana/aza

O “Libellus de principiis Ordinis Praedicatorum” de Jordão de Saxónia

http://vitaefratrumordinispraedicatorum.blogspot.com/2009/05/fontes-para-historia-de-sao-domingos.html

Vida de Santo Domingo de 1272

https://books.google.com.br/books?id=EnbSdnjdyeoC&pg=PA52&lpg=PA52&dq=Vida+de+Santo+Domingo+de+1272&source=bl&ots=3xJtTxA5jN&sig=ACfU3U2lHmFArd8ygA7WHFV9YvoKKSfPyQ&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwilrZCV1JDoAhVPGbkGHXnxCKQQ6AEwBXoECAcQAQ#v=onepage&q=Vida%20de%20Santo%20Domingo%20de%201272&f=false

https://www.dominicos.org/quienes-somos/grandes-figuras/santos/beata-juana-de-aza/

http://vitaefratrumordinispraedicatorum.blogspot.com/2011/08/beata-joana-de-aza-mae-de-sao-domingos.html

http://dbe.rah.es/biografias/24397/beata-juana-de-aza

http://caleruega.dominicos.es/visita

https://www.dominicos.org/quienes-somos/grandes-figuras/santos/beata-juana-de-aza/

 

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O Cristo em nós

Faz-se necessário mencionar que a espiritualidade dominicana é, antes de tudo, cristã. Essa percepção tem sido evidente ao longo da minha trajetória e experiência de oração, pois ela é profundamente cristocêntrica. Neste artigo falaremos de alguém além de Domingos, o Salvador, Jesus Cristo.

A junção dos verbetes nos revela a essência do seu ser: ‘Cristo + Centro’, ou seja, a figura do Messias Central. Colocar Cristo no centro é tê-lo como ponto focal de nossa vida e missão.

Recentemente, passamos pelas festas de Santo Antônio, Natividade de São João Batista, e ainda celebramos as festas de São Pedro e São Paulo, estes últimos considerados os grandes pilares da Igreja.

Tenho certa predileção por Pedro em relação a Paulo, porque ele foi aquele que mais se aproximou de Deus, mesmo com suas imperfeições. Pedro era o mais bruto, inesperado e explosivo, mas foi ele quem disse ‘sim’ e aceitou ser pescador de homens, recebendo a chave dos céus.

Automaticamente, lembro-me daquela emocionante passagem em que Pedro faz a mais bela profissão de fé:

“Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesareia de Filipe. No caminho, ele perguntou a seus discípulos: ‘Quem dizem os homens que eu sou?’ Eles responderam: ‘Alguns dizem que tu és João Batista; outros, que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas.’ Então Jesus perguntou-lhes: ‘E vocês, quem dizem que eu sou?’ Pedro respondeu: ‘Tu és o Messias.’” (MC 8,27-29)

Ao afirmar isso, Pedro demonstra uma certeza e confiança profundas em Cristo, além de sua prontidão ao dar a resposta no momento oportuno, movido por algo que pulsava em seu íntimo.

Também é importante mencionar João Batista, que reconhecia e anunciava sua própria pequenez ao declarar que ‘viria um maior e mais forte’. Vale destacar sua presença no ventre de sua mãe, Isabel, ao saltar durante a Visitação da Virgem Maria. João vibrava com a presença do Salvador desde antes do nascimento, reconhecendo o grandioso papel que o Messias desempenharia.

Paulo, com sua intensidade e vasto ensinamento ao longo de suas cartas, dispensa comentários, mas nos lembra que nunca é tarde para se converter. Ele teve que ter sua visão tirada e passar por outras experiências para se converter e tornar-se um seguidor do Messias. 

Por fim, Santo Antônio, doutor da Igreja, ou como é conhecido no Brasil, o santo casamenteiro, nos traz uma história atribuída a ele. Uma jovem noiva, sem dote na época de Antônio, pediu-lhe ajuda, e ele deu-lhe uma folha de papel de pão, dizendo que o noivo pagaria o peso que a balança marcasse. Milagrosamente, deu quilos, embora a quantidade exata não seja conhecida. Esse evento foi louvável para o casamento.

Você que está lendo pode se perguntar por que estou falando de tudo isso, já que iniciei este escrito falando de Cristo. Eis a resposta: todos os mencionados – João, Pedro, Paulo, Isabel e Maria – foram seguidores de Cristo até as últimas consequências e tiveram conversões diárias e radicais. Domingos nos aponta para o “crucificado” e para o anúncio da Ressurreição, sendo essencial para o nosso carisma como dominicanos e dominicanas.

A ideia central deste escrito é apresentar o Cristo por meio da história dos Santos, daqueles que acreditaram antes de nós e deixaram o testemunho do valor e bem-estar que sentiram ao segui-lo, apesar dos obstáculos e tribulações. Perseverar e ter coragem são como mantras para o cristão.

Cristo nos disse para não temermos, pois estará sempre conosco! Que possamos, diante dos testemunhos dos Santos mencionados e dos Santos de hoje, perceber a presença do próprio Cristo e anunciar sua boa-nova sem medo.

Que peçamos a intercessão de nossa baluarte, Margarida Città di Castello, em assistência aos mais necessitados e àqueles que sentiram o amor de Deus e o compartilharam com todos ao seu redor. Que tenhamos olhos para ver o amor de Deus e clareza na missão.”

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Texto escrito na sexta-feira, 30 de Junho de 2023 – 12ª Semana do Tempo Comum

Ana Beatriz Menezes, OP.

Acompanhe a Novena preparatória para a Festa de São Domingos de Gusmão, celebrada no dia 8 de agosto:

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